segunda-feira, 14 de abril de 2014

RESENHA – LA GRANDE BELLEZZA


Por: “Cristianismoemmente”
Publicado em 10 de abril de 2014

No último final de semana assisti ao filme vencedor do oscar de melhor filme estrangeiro deste ano: “A grande beleza” (La grande bellezza, 2013), filme italiano dirigido por Paolo Sorrentino, com o protagonismo de Toni Servillo. O filme conta a história de Jep Gambardella (Toni Servillo), um escritor de 65 anos, famoso por um livro de grande sucesso escrito há muitos anos atrás e que garantiu a ele uma vida de muitos luxos e privilégios na alta sociedade de Roma. O momento de sua vida e a morte de um grande amor do passado o leva então à uma profunda reflexão sobre tudo.(...)

Guardada as devidas proporções, por favor, comparo um pouco a vida e as reflexões de Jep à de Salomão, no livro de Eclesiastes. Jep, assim como Salomão, é um homem que tem tudo, não precisa trabalhar, vive em meio às festas da alta sociedade “intelectual” de Roma, mora em frente ao Coliseu, com um jardim magnífico, e mesmo aos 65 anos, ainda tem as mulheres que quer. Tudo isso não impede Jep de demonstrar uma tristeza oculta, um vazio, que o leva a repensar sua vida e a questionar seus amigos “pseudo-intelectuais” e também o clero, bastante presente no filme, que não consegue lhe dar uma resposta satisfatória para suas inquietações.(...)

Não é a toa que o personagem principal jamais conseguiu escrever um segundo livro, pois estava todo esse tempo à procura de “La grande bellezza”, algo que ele nunca encontrou, mesmo vivendo em Roma, à frente do Coliseu, uma vida de muitas festas. Nunca encontrou, a não ser, a seu ver, numa breve lembrança de um amor passado.

Ao final do filme, vemos uma grande metáfora, mostrando a Irmã Maria subindo a escadaria e desfalecendo ao final, bem como mostra-se Jep, jovem, pronto a subir uma escada, atrás de seu amor (e fora de Roma). É claro, que a escada é uma metáfora da vida. E ele conclui no mais uma vez impressionante discurso final:

 Termina sempre assim. Com a morte. Mas primeiro havia a vida. Escondida sobre o blá, blá, blá. Está tudo sedimentado sob o falatório e os rumores. O silêncio e o sentimento. A emoção e o medo. Os insignificantes, inconstantes lampejos de beleza.Depois a miséria desgraçada e o homem miserável. Tudo sepultado sob a capa do embaraço de estar no mundo. Blá, blá, blá, blá… O outro lado é o outro lado. Eu não vivo do outro lado. Portanto… que este romance comece. No fundo… é apenas uma ilusão. Sim, é apenas uma ilusão”

É uma conclusão impressionante e ao mesmo tempo muito resignada. O seu novo romance, cuja sua impressão traria a marca da “grande beleza” deve se iniciar. Mas no fundo, a grande beleza é uma ilusão (ou um truque como o do mágico que faz desaparecer a girafa). Quanto ao além, ao após a vida, ele nada pode falar.

Quando comparo essas reflexões às mesmas realizadas por Salomão no livro de Eclesiastes, posso dizer que quanto ao mundo, ambos demonstram essa mesma visão pessimista e até aparentemente mal humorada (como colocaria Pr. Ed Rene Kivitz), da vida. Mas quanto à conclusão final, graças a Deus, o Pregador (Salomão), tem uma conclusão diferente.

“Lembra-te também do teu Criador nos dias da tua mocidade, antes que venham os maus dias, e cheguem os anos dos quais venhas a dizer: Não tenho neles contentamento … E o pó volte à terra, como o era, e o espírito volte a Deus, que o deu. Vaidade de vaidades, diz o pregador, tudo é vaidade. … De tudo o que se tem ouvido, o fim é: Teme a Deus, e guarda os seus mandamentos; porque isto é o dever de todo o homem.Porque Deus há de trazer a juízo toda a obra, e até tudo o que está encoberto, quer seja bom, quer seja mau.” Eclesiastes 12.1,7-8,13-14

Aí é que está: ou você fica com o truque de grande beleza desta vida, ou acredita que há algo de verdadeira beleza acima de tudo isso e que há de encobrir todo truque com que nos temos divertido e enganado por tanto tempo.

Leia o texto na íntegra no Blog: “Cristianismoemmente” – Excelente!!
(Foto tirada da internet)

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