quarta-feira, 21 de agosto de 2013

AS MUITAS DESCULPAS POR NÃO SABERMOS "CHORAR".

“Alegrai-vos com os que se alegram e chorai com os que choram.” (Rm 12.15)

É fato, que o ser humano,  e mesmo nós os cristãos, desejamos nos alegrar,  festejar, e comemorar com aqueles que amamos:  nossos familiares, nossos parentes, nossos amigos e nossos irmãos na fé, os mais chegados. Da mesma forma, desejamos que este “mesmo grupo”, em tempos de aflições, chorem conosco. Porém, nem sempre essa “fórmula” funciona!  

Eu e minha família,  já tivemos a oportunidade de vivenciarmos tempos alegres, de sorrisos, de felicidades, rodeados por familiares, parentes, amigos e irmãos na fé, assim como já  tivemos a experiência de vivenciarmos tempos de choro, de tristeza, de sofrimento, rodeados por poucos,  principalmente, diante da dura realidade da enfermidade da minha amada mãe, que, devido a um AVC,  ficou quase  seis anos acamada e poucos, muito poucos, pouquíssimos, desse “mesmo grupo” choraram conosco.

Infelizmente, a vida não é uma ciência exata onde  dois mais dois são quatro, mas, sim, uma “ciência” humana, cheia de falhas e defeitos. Portanto, o  "mesmo grupo”, que se alegrou, festejou e confraternizou conosco em muitas ocasiões,   não souberam doar o seu ombro nos momentos que mais estivemos acarentes, não se fizeram presentes como pensávamos e gostaríamos,  usaram  de muitas desculpas por não saberem "chorar" conosco nos momentos de perdas,  doença e morte.

Porém, “uma coisa faço, e é que, esquecendo-me das coisas [ruins] que para trás ficam, e avançando para as que estão diante de mim,  prossigo  para o alvo”. (Fp 3.13) "Disto me recordo por isso tenho esperança" (Lm 3.1.21). Esperança de saber que  podíamos contar umas com as outras: eu, minhas irmãs e minha sobrinha Raquel, juntamente com o apoio financeiro e psicológico de nossos esposos, além da  enfermeira e amiga Damar Mariozzi que gostava da minha mãe como sua mãe.

Também contamos com a preciosa ajuda do nosso bondoso e  maravilhoso Deus, que  se fez presente no tempo do sofrimento, da angustia. Jesus chorava com aqueles que sofriam. (Jo 11.35).. O que Ele, por sua infinita misericórdia fez pela minha mãe e por nós foi indescritível: concedeu-nos paz, graça e paciência, a mim e aos meus entes queridos, para que cuidássemos dela com muito, mas muito amor e carinho, até quando,  aprouve ao Ele levá-la para o Paraíso, para descansar, segura  e muito bem aconchegada em seus braços de amor eterno. Aleluia!

E contamos, ainda, com a ajuda dos profissionais da saúde. A equipe de fisioterapeutas,   Bruna, Débora e Silvia;  a fonoaudióloga,   Elisângela e sua cuidadora Débora, além de excelentes profissionais também eram muito amorosos para com ela. Que Deus os abençoe imensamente! "E sabemos que todas as coisas contribuem juntamente para o bem daqueles que amam a Deu." (Rm 8.28). Deus fez surgir testemunho do sofrimento!

Quando tudo terminou, tivemos um feedback positivo desses profissionais,  que se tornaram amigos da família, e nos comunicaram como cresceram conosco e que sentiriam saudades de nossa pessoa e do convívio diário.  Convictas estávamos que  foi o amor agape, o amor de Deus, derramados pelo Espírito Santo em nossos corações, que atuou em nossos pensamentos, sentimentos e vontade, e que deixaram marcas indeléveis nesses profissionais amigos.  "É necessário que ele cresça e que eu [nós] diminua." (Jo 3.30).

"O amor tudo sofre, tudo crê, tudo espera, tudo suporta" (I Co 13.7). Foi o amor que nos levou à atitude de  cuidar de nossa mãe, uma Sra. de 94 anos e uma serva fiel a Deus.  Jesus foi a nossa Âncora! O Filho de Deus foi o nosso Porto Seguro! Por isso, fomos até o fim.  "Tu, porém, pois vai até o fim". (Dn 12.13). Vejam como o nosso  Soberano Deus “tudo fez [faz] formoso em seu tempo.” (Ec 3.11).

Que possamos aprender  com o Livro de Eclesiastes: “É  melhor ir a casa onde há luto do que ir a casa onde há banquete, pois lá se vê o fim de todos  os homens, e os vivos o aplicam ao seu coração.” (Ec 7.2). Eu amo este ensinamento, do mais Sábios dos sábios - o Rei Salomão! Contraditório e oposto ao que a maioria dos seres humanos, inclusive nós os cristãos, gostamos e sabemos fazer.

A maioria dos seres humanos sabem e gostam de “sorrir”, mas a maioria  dos seres humanos não sabem e não gostam de  “chorar”. Sabe por quê? Porque não sabem AMAR!

Por isso,  agradeço,  não ao "grupo chegado",  mas sim,  a um "outro grupo"  que em obediência à Palavra de Deus souberam chorar, amar, naquele dia tão sofrido,  sem colorido...

É um caminho excelente,  alegrar-se com os que se alegram, e um caminho mais excelente ainda: amar e chorar com os que choram! Como  discípulos de Cristo,  temos vivido esta realidade? 

“Ensina-nos a contar os nossos dias, de tal maneira que alcancemos corações sábios” (Sl 90.12). Ensina-nos Senhor, ensina-nos...

Isabel Lima
Copyrht


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