quinta-feira, 7 de março de 2013

CRIANÇAS DEVEM TOMAR A CEIA E SEREM BATIZADAS NAS ÁGUAS?

Jean Piaget, suíço (1896-1980), Doutor em Ciências Naturais, desenvolveu estudos sobre os  “estágios de desenvolvimento cognitivo humano”,  que se inicia na infância e só se completa na idade adulta.

Ao ler na Bíblia a história do menino Jesus quando estava como apenas 12 anos (Lc 2.39-52) e ler o estudo de  Piaget sobre os estágios do desenvolvimento cognitivo, chegamos a um consenso,  entre o que a Palavra de Deus nos ensina, e entre o que Piaget escreveu.

Mas, é um pena que muitos Teólogos do passado e do presente,  e muitos Lideres das Igrejas de hoje,  não tenham conhecimento  da obra de Jean Piaget, e muito menos se importam de passarem  "por cima” do ensino da  Palavra de Deus, quando distribuem a ceia do Senhor para crianças e as induzem a serem batizadas nas águas.

Tudo o que é transmitido a uma criança sem que seja compatível com seu estágio de desenvolvimento cognitivo não é de fato incorporado por ela.
“A criança pode imitar um adulto mas não compreende o que está fazendo”.  Piaget procurou compreender os estágios do desenvolvimento cognitivo do ser humano, onde propõe quatro períodos:

- Sensório Motor – do nascimento até aproximadamente os 2 anos de idade
- Pré-operatório –  dos 2 anos aos 7 anos
- Operatório Concreto – dos 7 aos 11 anos
- Operatório Formal – dos 11 aos 15 anos em diante.

Apenas na adolescência é que o individuo se torna capaz de pensar abstratamente
Se torna capaz de refletir sobre  situações hipotéticas de maneira lógica. Piaget influenciou a educação de maneira profunda. Para ele as crianças só podem aprender o que estão preparadas para assimilar;

Jesus,  aos 12 anos,  era penas um menino
Jesus, como verdadeiro homem, experimentou o crescimento físico, mental e espiritual.  Aos 12 anos de idade, Ele foi levado a Jerusalém pela primeira vez pelos pais para celebrar a Páscoa judaica. (Lc 2.41.42). “E o menino crescia e se fortalecia em espírito, cheio de sabedoria; e a graça de Deus estava sobre ele. ” (Lc 2.40). Nesta idade,  Jesus ainda não havia atingido o estágio pleno do amadurecimento,  Ele ainda era apenas o menino Jesus: “E, regressando eles...ficou o menino Jesus em Jerusalém”. (Lc 2.43).

Como educadora sou contra “crianças” tomarem ceia e serem batizadas nas águas
Crianças de  9, 10, 11  anos ou menos, não estão preparadas e não são“maduras” o suficiente para compreenderem o que significa o “ato” do batismo nas águas e o “ato” de  participarem da Ceia do Senhor. Nesta idade a criança ainda não  consegue  assimilar coisas abstratas, “coisas que não se vêem”, como a fé, o crer, o pecado, a salvação, céu, inferno, amor, ódio,  espírito, a alma, etc.

Muitas igreja evangélicas, permitem crianças participarem da ceia
Dizem que elas são as mais aptas para fazê-lo, devido a sua inocência, talvez realmente sejam, porém, isso não tem  base bíblica e  nem apoio pedagógico. Outras igrejas evangélicas, não diferente do Catolicismo Romano,  permitem  crianças serem batizadas nas águas. Isso é considerado desvio doutrinário dos  ensinamentos das  Sagradas Escrituras que diz: “Quem  crer e for batizado será salvo” (Mc 16.16). “Crer” é abstrato, e uma criança, somente tem condições de pensar abstratamente quando chega em sua adolescência.

Um menino de 9, 10, 11 anos ou menos, jamais,  terá condições de assimilar o que significa o simbolismo do pão e do  cálice do Senhor: “Tomai, comei; isto é o meu corpo que é partido por vós; fazei isto em memória de mim... Este cálice é a nova aliança no meu sangue; fazei isto, todas as vezes que beberdes, em memória de  mim”. (I Co. 24,25).

O menino e a menina judia
Somente são considerados maduros o suficiente para assumirem suas responsabilidades após os 12 anos de idade.  Para os meninos judeus 13 anos e um dia, para os meninas judias 12 anos e um dia.   Ao completar 13 aos o jovem judeu é chamado pela primeira para a leitura da Torá.  O menino passa a ser Bar Mitzvá, filho do mandamento, e a menina Bat Mitzvá, filha do mandamento, nome da cerimônia que insere o jovem judeu como um membro maduro na comunidade judaica. Esta “maioridade” para crianças no judaísmo está baseada no Livro de Gênesis capitulo 34 e versículo 25, quando Levi com apenas 13 anos de idade, foi a pessoa mais jovem a quem a Torá se referiu a um “homem”: “Simeão e Levi...tomaram cada um sua espada”.

Às  crianças pertence o reino dos céus
Embora as crianças mentalmente imaturas não sejam, de fato, inocentes de nascimento . — posto que herdaram o pecado de nossos primeiros pais (Rm 3.23; 5.12) — elas são puras e vivem num “período de inocência”. (Pastor Ciro Sanchez Zibordi).

Muitas Lideres de igrejas evangélicas, por carências de pessoas para serem levados ao batismo, convidam filhos de crentes, ainda meninos, para descerem às águas batismais e os pais sem conhecimento bíblico e pedagógico consentem.

- Pastores, não queiram encher seus templos de “membros” crianças, mas encham seus templos de membros adultos – Evangelize – Angariem membros maduros, que irão crêr, serem batizados e participarão do ato da ceia conscientes.

Evangelismo e culto adequados às crianças
Devemos fazê-lo na linguagem apropriada à seu estágio de desenvolvimento, fica maçante para uma criança participar de um culto em uma linguagem para adultos. Não  há como ela não ficar agitada .Concordo que algumas igrejas não têm espaços físicos, porém, a sabedoria, a paciência e a compreensão dos Lideres e dos irmãos, entrarão em ação, para não magoarem  as  crianças e nem seus  pais que ali se encontram para cultuarem a Deus.. (Lc 18.16). “Só é possível ensinar uma criança a amar, amando-a”. (Johann Goethe)

Se pretendemos  entrar no céu, temos que receber o Reino de Deus com a simplicidade do coração de uma criança. “Deixai vir a mim o pequeninos e não os impeçais, porque dos tais é o reino dos céus”. (Lc 18.16,17).

Maria Isabel da Silva Lima

FONTES:
FONTANA.Roseli e DA CRUZ. Maria Nazaré. Psicologia e Trabalho Pedagógico. ed. Atual.

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