terça-feira, 15 de maio de 2012

DE QUE LADO VOCÊ GOSTARÍA DE ESTAR?

Do lado de cá, limpando o chão molhado, ou do lado de lá, molhando o chão?

Ocorreu com Ana Clara, psicóloga, ao se dirigir para o hospital, para visitar  mais uma vez a amiga e irmã – Deise, sua empregada doméstica, mulher trabalhadora ao extremo  que se encontrava em seus últimos momentos de vida, quase inconsciente naquele leito, com apenas 62 anos de idade,  de pele negra,  muito meiga, carinhosa, caridosa, dedicada e honesta. Praticamente uma avó para sua filha Lara, que havia recebido todos os cuidados de Deise desde bebê.

A SITUAÇÃO CONSTRANGEDORA DA PACIENTE

No quarto do hospital Ana Clara observou que ao lado do leito de Deise, na outra cama havia uma outra paciente: uma Senhora. de meia idade, também de cor negra, e  que não recebia visitas,  com um olhar triste, muito triste... mas  consciente, e que ao tentar caminhar até o toallete, por várias vezes, havia molhava o chão por causa de incontinência urinária, e o fato a deixava envergonhada, quando olhava para Ana Clara e João Marco, o único filho de Deise.

A FUNCIONÁRIA PERDEU A PACIÊNCIA COM A PACIENTE

O fato acorreu novamente,  a paciente voltou a molhar o chão, a seguir foi acionada a equipe de limpeza do hospital, e após alguns minutos, para surpresa de Ana Clara, a porta do quarto se abriu abruptamente, e entrou um funcionária no quarto, gritando, brava e dizendo: ”Desse jeito eu irei pegar uma contaminação, eu não sou sua empregada...” A paciente sem dizer uma palavra,  olhou para Ana e João e abaixou os olhos, muito insegura diante de todo aquela situação constrangedora.

ANA CLARA E O FRUTO DO ESPIRITO EM SUA VIDA

Ana clara ao perceber o desconforto da paciente,   abriu a porta do quarto e pediu que à funcionária fizesse a gentileza de acompanha-lá  por um momento até o corredor,   pois queria lhe falar. Ambas saíram do quarto, e Ana deixou a porta do quarto entreaberta, e disse para a funcionário do hospital, num tom de voz firme, mas baixo, com  mansidão e também com muito amor:

- “Minha Senhora: observe a minha amiga, praticamente ela esta em seus últimos momentos de vida,  com todos aqueles aparelhos e inconsciente...”. A funcionária observou a amiga de Ana.

 “Agora, minha Senhora, observe aquela outra paciente, da cama ao  lado, com aquele cateter no pescoço, debilitada, olhar triste e constrangida, que não recebe visitas há dias, e que molhou o chão, não intencionalmente, na qual a Senhora teve que limpar por várias vezes hoje". A funcionária observou a paciente debilitada.

- “Agora, eu lhe pergunto:  de que lado a Senhora gostaria de estar:  do lado de lá, e apontou para o quarto): “MOLHANDO O CHÃO”  – ou do lado de cá – “LIMPANDO O CHÃO?”. Não  houve resposta...

A FUNCIONÁRIA “CRESCEU” COM ANA CLARA

No outro dia, menos de vinte horas após o ocorrido, Ana Clara reencontrou aquela funcionária no corredor do hospital, que a  cumprimentou,  e disse com voz firme, mansa e com um olhar de amor: “Eu sinto muito pela sua amiga”. A funcionaria pegou nas mãos de Ana e as apertou firmemente, forte, muito forte... e novamente saiu sem dizer uma palavra...


CONCLUSÃO
Realmente, é cansativo “limparmos o chão”, muitas vezes faltará o amor e a paciência necessária para com os “doentes”: os doentes ditatoriais, de ódio, de preconceito, de inveja, de injustiça,  de maledicência,  de calunia, de falsidade, etc. Porém, quando olhamos pela porta entreaberta,  ampliamos a nossa visão,  enxergamos além dos “doentes”- enxergamos a cena do calvário – Jesus Cristo! Ficamos impactados e nos retiramos mudos... Menos de 24 horas depois  retornamos diferentes: crescemos!   agora olhamos os “doentes” com um  olhar de compaixão, somos muito mais humanos, mais parecidos com Jesus Cristo. Concluímos: “Melhor é estarmos do lado de cá, limpando o chão, do que estarmos do lado de lá...".

- Ensina-nos Senhor a “limparmos o chão”, quantas vezes forem necessário, com amor  no coração, com a alegria da salvação,  com a paz que excede todo entendimento, com a longanimidade, a benignidade e a bondade que nos são necessárias no dia a dia,  aumentando a nossa fé, dando nos mansidão,   temperança, auto domínio, imprescindível, que é o freio de nossas vidas, para que possamos perceber qual excelente é estarmos do lado de cá: limpando o chão molhado”, mas não molhando o chão.

"Ensina-nos a contar os nossos dias de tal maneira que alcancemos coração sabio” 
(Sl 90.2).

(Os nomes acima são fictícios para preservação dos mesmos)

Escrito por:
Maria Isabel da Silva Lima
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Um comentário:

  1. Querida Izabel estou edificada com o texto abençoador que me fez refletir qual o lado devo estar Deus abençoe muitíssimo a sua vida. grande abraço Paz do Senhor irmã Vera

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