segunda-feira, 16 de abril de 2012

Procuram-se Culpados!

Diante dos sonhos que falharam, diante dos desapontamentos, diante dos objetivos não alcançados, diante dos planejamentos  não concretizados, diante do casamento destruído, do filho viciado, do emprego perdido, etc, a tendência  é sempre procurarmos culpados.

A inclinação humana é sempre achar culpados ante as mudanças e variações das coisas: seja Deus, o cônjuge, os filhos, os pais, os amigos, os vizinhos, os irmãos da igreja, o Pastor, o chefe, os colegas, etc. Jesus preveniu-nos: “No mundo tereis aflições” (Jó 16.33), mas em nenhum momento Ele disse que diante das aflições deveriamos buscar culpados,  porém,   ordenou-nos sabiamente que houvesse “bom animo diante de tais aflições”.

Isso ocorreu com nossos primeiros pais, Adão e Eva,  e ocorre conosco. Há uma disposição para isentar-nos de culpas e acharmos culpados quando as coisas não saem do jeito "certo", do jeito desejado, sonhado... Adão ao desobedecer a Deus e  comer do fruto proibido e ser descoberto e interrogado por Deus, não assumiu a sua culpa e apontou o dedo para Eva, sua ajudadora: A mulher que tu me deste, ela me deu da árvore, e comi” (Gn 3.12). Não diferente de Adão agiu Eva, quando Deus a interrogou ela fugiu de sua  responsabilidade e culpou a serpente: “A serpente me enganou, e eu comi” (Gn 3.13). Realmente, a serpente a havia influenciado, mas ela  esqueceu-se que Deus a havia  dotado de “livre arbítrio ou direito de fazer  escolhas: de obedecer,  de desobedecer, de comer, de não comer, de dizer sim, de dizer não. Ela poderia  ter rejeitado o fruto, assim como Adão, mas optaram por comê-lo conscientes de que desobedeciam a Deus. 

Jesus, quando tentado no deserto fez uso de seu livre arbítrio para rejeitar todas as ofertas propostas por Satanás. (Mt 4.1-11). Aqui aprendemos uma lição:  o diabo nem sempre tem culpa de tudo que acontece em nossas vidas. O ser humano é dotado de liberdade como era Adão,  como era  Eva e como era Jesus. Liberdade para  escolher o seu próprio caminho. Adão e Eva, como seres livres, ouviram a voz da serpente e escolheram o caminho da desobediência,   Jesus, como um ser livre, rejeitou as propostas de Satanás   e escolheu o caminho da  obediência.

Dores, angústias, tristezas, provações, etc, fazem parte do caminhar  peregrino aqui nesta terra.  Em oração,  devemos pedir a Deus, que o seu Santo Espírito venha ajudar-nos diante das fraquezas, pois “Ele intercede  por nós com gemidos inexprimíveis. (Rm 8.26).

Diz a Palavra de Deus, “A sabedoria é Suprema” (Pv 4.7). Se temos falta dela, devemos pedi-la a Deus (Tg 1.5). A sabedoria leva a um crescer contínuo, “a vereda do justo, é como a luz da aurora, que vai brilhando mais e mais até ser dia perfeito” (Pv 4.18). Como cidadãos e  cristãos, em pleno desenvolvimento humano e espiritual, devemos pedir a Deus muita sabedoria,  sempre, para assumirmos  falhas,  erros e  parcelas de culpas diante dos acontecimentos da vida.

Repito, a tendência do ser humano  quando algo sai errado em sua vida, quando algo foge de seu controle, é sempre achar culpados, principalmente os que estão mais próximos. Nunca devemos esquecer que, muitas vezes,  a parcela de culpa do que acusa é igual ou ainda maior daqueles que são acusados,   daqueles  que são considerados como os maiores causadores das grandes dores e dos grandes males alheios.

Alguns tentam  enganar o próprio Deus, ao isentar-se de toda e qualquer culpa, e o pior, tentam enganar-se si  mesmo, já que Deus não se deixa enganar.  Fazem-se vitimas do destino, reclamam da vida: “ó céus, ó dor! Nada dá certo para mim”, mas nunca pararam para se autoavaliar, ter um olhar introspectivo, não mentir para si próprio. É muito difícil o ser humano olhar para dentro de si, dói na alma assumir mazelas interiores.

Enquanto nesta vida,  pessoas não assumirem diante de Deus, e muitas vezes diante daqueles nas quais elas apontam  o dedo como “culpados”, e principalmente diante delas mesmas, que  também têm defeitos e muitas vezes não são tão inocentes como pensam, sendo também causadores de males e decepção a outros que estão à sua volta,  Deus não poderá e não terá como trabalhar em suas vidas.

Jesus foi traído por um amigo, negado por outro, abandonado por todos, e em nenhum momento disse que estava na cruz por causa de A ou B. Que cada cristão possa ter o caráter de Cristo e não viver a apontar o dedo para outros, pois enquanto  apontarmos o dedo para o nosso próximo,  ainda existem  três dedos apontados em  nossa direção e um dedo apontado para Deus.

Que o Senhor Jesus nos ajude a seguirmos avante, libertos da escravidão do passado,  libertos da procura de culpados para as coisas que não aconteceram e não saíram como era sonhado ou idealizado em nossas vidas.

“Esquecendo-me das  coisas que atrás ficam e avançando para as que estão diante de mim, prossigo para alvo, pelo premio da soberana vocação em Cristo Jesus (Fp 3.13)

Isabel Lima
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